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ORDENHA EM BÚFALAS SEM BEZERRO AO PÉ

ALBERTO DE GUSMÃO COUTO
BUBALINOCULTOR - AL
Fazenda Castanha Grande/ São Luiz do Quitunde/AL.

1. -  A IMPORTÂNCIA DA CRIA PARA A BÚFALA

Os bovinos leiteiros de origem holandesa, sofreram ao longo de muitos séculos modificações impostas pelo
homem, utilizando os conhecimentos de suas técnicas de manejo e do melhoramento genético, transformando esses animais em verdadeiras máquinas de produzir leite. Com isso, modificaram não só o tipo, mas também o temperamento, a independência do bezerro para produzir leite, como a habilidade de conversão dos alimentos, não consumíveis pelo homem, nesse extraordinário produto que é o leite,  consumido desde o seu primeiro dia de vida até a morte.

Os bubalinos principalmente no Brasil, onde a pecuária de leite tem apenas uma década de exploração leiteira como atividade profissional, apresentam grande habilidade materna e ao mesmo tempo, grande dependência de seu produto para proporcionar a liberação do  leite. Isso se deve principalmente, a necessidade de preservar os animais da espécie, ao grande afeto pela cria e por não ser ainda um animal especializado como a vaca holandesa.

Dada a essa condição, e estudando o processo de adestramento desses animais ao longo de vários anos, recomendamos que após a ordenha, a búfala deve permanecer pelo menos 30 minutos com sua cria. Este contato,  proporciona  não só à mãe, como também a cria, um condicionamento da necessidade de produzir leite e de continuar a exercendo sua habilidade materna para continuar preservar a espécie. Em algumas búfalas, principalmente as multíparas, quando afastamos a cria, como se faz com os bovinos e de modo definitivo no início da lactação, a produção de leite diminui gradativamente e muitas vezes até repentinamente, fato esse que tem comprometido a produtividade da própria búfala como o desempenho do produto, levando ao sacrifico de ambos.

2.-  FATORES QUE INFLUENCIAM A ORDENHA SEM BEZERRO AO PÉ  

2.1.-  DOCILIDADE

A docilidade é fator preponderante em uma ordenha sem bezerro ao pé. As búfalas não devem entrar estressadas em uma sala de ordenha. As búfalas que sofrem algum tipo de estresse, quer no processo de entrada do estábulo, quer na hora da ordenha, quer por não encontrar a sua cria, ou mesmo pela ação do ordenhador no manejo dos animais, se tornam cada vez amais agressivas. Isso, em decorrência da liberação  da adrenalina por um dos lóbulos da hipófise. Essa adrenalina, cai na corrente sanguínea, deixa o animal ainda mais estressado e atua na glândula mamária funcionando com um vaso constritor e suprime a liberação do leite ou o apojo. Uma vez ocorrendo isso, o animal levará algum tempo para se recuperar de tal estresse. Tempo esse  correspondente a oxidação de toda a adrenalina liberada.  Isso não quer dizer que todas búfalas mansas apojam sem bezerro ao pé. Algumas búfalas mesmo mansas, mas por estarem condicionadas àquele manejo só se deixam ordenhar com bezerro ao pé.

2.2.-  ÚBERE CHEIO

Não sou mulher para saber, mas penso que quando as suas mamas estão cheias causam dores, fato semelhante, podemos sentir quando estamos com a bexiga cheia e que no processo de esvaziá-la, sentimos uma das melhores sensações não só de conforto como de prazer. O mesmo deve ocorrer com as fêmeas em lactação, quando suas mamas estão cheias devem sentir a mesma necessidade. Daí a razão de hoje se utilizar nos mais avançados paises produtores de leite o sistema de ordenhas voluntárias, onde o animal pode ser ordenhado até seis vezes em 24 horas. Com isso não sofre o estresse do úbere cheio e a sua produtividade aumenta. O condicionamento das búfalas a essa sensação de conforto e prazer é um dos fatores que as induz a se  deixarem ordenhar sem bezerro ao pé.

2.3.- BOA PRODUTORA DE LEITE

Uma búfala boa produtora de leite, geralmente apresenta seus úberes cheios na hora da ordenha, portanto, recai no exemplo anterior. Vale salientar que búfalas que assim se apresentam normalmente tem uma maior estabilidade ou como se diz tecnicamente, maior persistência em suas produções diárias, conseqüentemente também se deixa ordenhar com mais facilidade sem bezerro ao pé.

2.4.-  AMBIENTE DA ORDENHA

É conhecido que na hora da ordenha o ambiente deverá ser calmo, silencioso, com pouco movimento de gente circulando na sala de ordenha. Um simples grito, um latido de cachorro, uma visita de um amigo querendo ver de perto a ordenha e falando alto, poderá inibir a descida do leite das búfalas, acarretando uma redução significativa na produção do nobre líquido. Chamamos nossas búfalas de “meninas”, e aconselho aos bubalinocultores a orientarem seus ordenhadores e pessoal de manejo dos animais que proporcionem um tratamento especial ou mesmo carinhoso aos animais. Isso, além de quebrar  preconceitos, diminui a agressividade do tratador para com as búfalas e dessas, para quem faz o manejo diário dos animais. Daí os animais se voltarem para as pessoas quando se apresentam pela primeira vez a elas.

2.5.- O PERFIL DE UM BOM ORDENHADOR : CALMO, INTELIGENTE, LIMPO, PERCISTENTE E TER UMA BOA INTERAÇÃO COM O ANIMAL

CALMO. O ordenhador com essa característica transmite tranqüilidade e confiança as búfalas. Daí, a razão das mulheres e os dos afeminados, terem mais habilidades na lida com as “meninas”, na hora da ordenha, na criação dos bezerros, na higiene do leite, etc. Ordenhadores que se dedicam à prática das vaquejadas são péssimos para lidar com os animais produtores de leite, especialmente com as búfalas que são mais inteligentes que aquelas. O espírito agressivo, dominador e  até de  sádico que predomina nos adeptos desse esporte, transmite insegurança e medo aos animais que estão condicionados a uma prática de rotina, que é produzir leite e amamentar sua cria naquela hora do dia.

INTELIGENTE. Com esse perfil, compreenderá todos os atos de comportamento das búfalas no dia a dia e dará a elas a dedicação requerida naquele momento do encontro diário, dirigindo se ao animal com palavras amigáveis e carinho por saber suas reações diante do seu comportamento. O ordenhador precisa saber resolver com tranqüilidade situações atípicas que às vezes ocorrem com uma búfala durante a ordenha.

LIMPO.  Esse caracter do ordenhador, seja ele homem, mulher ou outro, é  o suficiente para entender que o leite requer igual tratamento e que se contamina com grande facilidade. Por isso que a limpeza se torna fundamental no processo do manejo das búfalas durante a ordenha, dos equipamentos e de todo o ambiente. A produção de um leite higiênico permite obter um bom queijo. A limpeza e higienização também são fundamentais para a saúde do úbere e do animal.

PERSISTENTE. Esta é outra característica que o ordenhador deve apresentar para se  ter êxito na ordenha sem bezerro ao pé. Muitas tentativas de fazer a produção de leite sem o bezerro ao pé se frustraram, simplesmente pela falta de persistência dos ordenhadores e dos produtores. A ordenha desprovida do bezerro ao pé é um condicionamento do animal ao novo sistema, para isso demanda-se de tempo e persistência para se ajustar o sistema. 

A INTERAÇÃO ENTRE O ANIMAL E O ORDENHADOR. O ordenhador que apresenta a habilidade de se interagir com o animal, cria um ambiente de amizade e de confiança entre ambos, a ponto de determinadas búfalas só quererem ser ordenhadas pelo mesmo ordenhador todos os dias e na mesma hora, fato esse que pode ser  comprovado pela visível queda da produção de leite ou demora do tempo de ordenha, quando se muda de ordenhador.

POUCO TEMPO DE CONVÍVIO DA BÚFALA COM A CRIA.  Segundo Zicarelli, pesquisador Italiano, “as búfalas brasileiras, ainda não adquiriram hábitos leiteiros”, razão da  dificuldade que encontramos ao adestrarmos esses animais para a ordenha sem bezerro ao pé. A prática de diminuir o tempo de convivência das búfalas com suas crias, facilita a aceitação desse tipo de ordenha, as búfalas entram no cio em menor tempo após o parto, fato que constitui numa condição sine qua non  para se fazer duas ordenhas diárias.

3.-  PROCEDIMENTOS E MANEJOS QUE ANTECEDEM A ORDENHA

3.1.-  BEZERRAS: Deve se escovar e dar banho de mangueira nas bezerras, até que as mesmas levantem a cauda e não as balance, ficando apenas retorcendo-as. Diferente do cachorro, o balançar agitado de cauda no búfalo quando o acariciamos, é sinal de desagrado; um gesto de confiança do búfalo com o tratador é deixar coçar a cabeça. Estas práticas têm demonstrado que no futuro, quando as novilhas parirem, verão no homem um amigo e ficará mais fácil a ordenha sem bezerro ao pé.

3.2.-  VACAS E NOVILHAS: Um mês antes de parirem, as novilhas deverão ir para o lote das vacas em lactação. Após a ordenha, o ordenhador com carinho e dedicação, deverá dar um banho e escová-la até ficarem calmas. Com essas medidas, as novilhas condicionarão que a sala de ordenha é um local de prazer e quando parirem, já acostumaram com aquele ambiente e com o ordenhador, dessa forma não se apresentarão mais estressadas.

 3.3.-  RAÇÃO BALANCEADA: Sabendo que uma ração balanceada demora em média 15 a 20 dias para atingir a sua plena eficiência, se faz necessário ir acostumando as búfalas que estão sendo amojadas até que haja a substituição total do conteúdo ruminal e com isso, se atinge o pico de produtividade. Além disso, sabe-se que, para cada quilo de peso adquirido pelas búfalas antes de parirem, esse corresponderá a cinco quilos a mais de leite na lactação seguinte (Zicarelli).

3.4.-  NO PRIMEIRO DIA DO PARTO. Neste dia, as búfalas deverão ficar com suas crias para que possam adquiram amor por elas. Esse manejo, além de evitar a rejeição à cria, pois o parto é ato doloroso para a fêmea e a mãe pode assim rejeitá-la, como uma espécie de depressão pós-parto, é necessário porque os recém-nascidos precisam obrigatoriamente, mamar dentro das primeiras seis horas a maior quantidade de colostro possível para lhes conferir a imunidade às doenças que nos ruminantes só acorrem após o parto.

3.5.-  NO SEGUNDO, TERCEIRO E QUARTO DIA DE PARIDA. Durante esse período, as búfalas deverão ir para a vacaria, com sua cria.   Estando na sala de ordenha, colocamos os bezerros mais novos e os debilitados para que mamem todo o leite nela existente, caso as búfalas rejeitem, amarrar por um pé a uma argola fixada no piso ou a num moirão. Feita a esgota pelos bezerros, as búfalas recém paridas, ficarão com suas crias até o dia seguinte, na mesma hora, quando faremos os mesmos procedimentos do dia anterior.

3.6.-  NO QUINTO DIA DE PARIDA. Nesta oportunidade, retira-se uma pequena porção de leite dessas búfalas, coloca-se em um recipiente e leva-se ao fogo até a fervura. Caso o leite coagule, não estará bom para consumo e faremos o procedimento do item anterior. No dia seguinte faremos novamente o teste da fervura do leite, que provavelmente  não irá coagular. Desse modo estará pronto para o consumo e a búfala entrará na fase de adestramento da ordenha sem bezerro ao pé.

3.7.-  A ESGOTA DO COLOSTRO.  Muitos produtores, por não terem experiência com pecuária de leite, só iniciam a ordenha após 5 a 6 dias depois da búfala parida e não fazem a esgota diária, alegando deixar todo o colostro para a cria. A experiência aconselha a esgota diária pela seguinte razão: sendo a natureza sábia e a síntese do leite ocorrendo constantemente, caso esse leite não seja retirado, a pressão formada pela parede do úbere com o enchimento desse se iguala à pressão de síntese do leite ou pressão sanguínea. Nesse momento, como o leite não está sendo retirado, nem pelo bezerro nem pela ordenha, esse leite passa a ser absorvido pelas mesmas células que o sintetizaram. Como esse processo é irreversível, as células que antes secretavam, agora passaram a absorver o leite. Assim, há uma redução no processo de produção do leite. As células que passaram a absorver não mais produzirão leite. Uma boa prática é aproveitar todo esse excesso de colostro, deixando que os bezerros mais novos mamem nessas búfalas.

4.-  ORDENHA: ADESTRAMENTO E MANEJOS

4.1.- LOTES A SEREM ORDENHADOS

·        A).- LOTES QUE SE DEIXAM ORDENHAR SEM BEZERRO AO PÉ

      Por ser um sistema mais rápido de ordenha, esse lote deverá entrar  primeiro.   

·        B).- LOTES QUE SÓ SE DEIXAM ORDENHAR COM BEZERRO AO PÉ

      Búfalas que após cinco dias consecutivos não se deixam ordenhar sem bezerro ao pé deverão entrar para esse lote.

·        C).- LOTE QUE ESTÁ EM FAZE DE ADESTRAMENTO

       Estando em faze de adestramento, por dar muito trabalho e demora, escolhemos este   por último. 

4.2.-  ADESTRAMENTO DA BÚFALA PARA A ORDENHA SEM BEZERRO AO PÉ 

A princípio, usamos um produto comercial à base de ocitocina que, quando aplicado nas búfalas, faz o mesmo efeito da ocitocina liberada pela hipófise. Essa substância, ao cair na corrente sanguínea, é transportada até o sistema nervoso localizado na parte superior da glândula mamária, provocando contrações nesta glândula e expulsando dos alvéolos o leite. Dando continuidade ao processo de secreção do leite, o mesmo cai na cisterna mamária, quando se percebe visivelmente o apojo pelo crescimento do úbere. No início, após ter gastado várias caixas de ocitocina, chegamos à conclusão de que esse sistema não funcionava e que só levava ao estresse das búfalas e a raiva delas pelo aplicador, no caso nosso.

4.2.1.PRIMÍPARAS:

As primíparas, por não terem ainda autocontrole sobre os seus estímulos no que se refere à glândula mamária, mesmo estando estressadas, apojam com mais facilidade que as multíparas.  Caso não apojem, voltarão para o lote de espera, onde serão ordenhadas por último, quando estarão com o úbere mais cheio,  possivelmente apojarão.

4.2.2 MULTÍPARAS:

No início do adestramento dessas búfalas, devemos proceder da  mesma maneira das primíparas. Não aceitando o sistema acima mencionado, usamos uma maneira prática e inócua encontrada para adestrar as multíparas. Assim, caso não aceitem normalmente a ordenha tomamos as seguintes medidas: amarrar uma corda comprida no bezerro, deixá-lo junto de sua mãe. Quando a mesma apojar, de longe  puxamos a corda e conseqüentemente o bezerro se afasta de sua mãe, como que espontaneamente. Estando as búfalas apojadas, o ordenhador faz os procedimentos de limpeza e inicia a ordenha.

A continuidade desse manejo, na maioria das vezes, faz com que as búfalas se acostumem com a ordenha sem bezerro ao pé. Após cinco dias consecutivos, caso essas búfalas não aceitem o novo sistema, devemos colocá-las no lote de ordenha com bezerro ao pé. A persistência da ordenha sem bezerro ao pé após esse tempo, poderá fazer com que essa búfala corte a lactação.

Muitas vezes, estando no começo de lactação ou no fim, estressadas ou quando há mudança de ordenhador, as búfalas costumam dar “sapatadas”, numa atitude de  rejeição à ordenha. A melhor maneira, de eliminar essa atitude indesejável da búfala, adotada há mais de 15 anos por nós, consiste em amarrar um  pé da búfala a uma argola presa no piso ou a um moirão próximo do pé da búfala, argola essa, que deverá estar do lado do ordenhador. A princípio as búfalas esperneiam, mas depois ficam calmas, facilitando dessa forma a ordenha.    

A ordenha sem bezerro ao pé é um trabalho lento, gradativo e que progride com a conscientização do ordenhador e com o condicionamento do animal.

4.3.-  ORDENHA COM BEZERRO AO PÉ

O trabalho de ir buscar o bezerro no bezerreiro e colocá-lo ao lado  da búfala para que    ela apoje, representa em torno de 50 % da força de trabalho de uma ordenha.

Anteriormente colocávamos o bezerro para mamar em suas mães até   percebermos que as búfalas tinham apojado, a baba na boca do bezerro e o crescimento do úbere era o sinal de apojo. Posteriormente, verificamos que esse sistema demandava muito tempo e esforço por parte do ordenhador, além de provocar mastite devido à mordida que os bezerros davam nas tetas de suas mães, na tentativa de evitar o seu afastamento. Resolvemos então amarrar o bezerro na frente das búfalas, que ao cheirar os seu filhos, apojam da mesma maneira, e isso diminuía o trabalho dos ordenhadores. Após dois a três meses de paridas, as búfalas que só se deixam ordenhar com bezerro ao pé, aceitam serem ordenhadas com qualquer bezerro. Hoje apenas dois bezerros são usados para apojarem todas nossas búfalas que só se deixam ordenhar com bezerro ao pé.  

5. -  SISTEMAS DE MANEJO DE BEZERROS

5.1. - APARTAÇÃO APÓS O COLOSTRO, COM ALIMENTAÇÃO COM MAMADEIRA (NÃO ACONSELHÁVEL).

Muito adotado pelos criadores de bovino, esse sistema não funciona na pecuária bubalina de leite, visto o que já falamos anteriormente. O extinto materno aguçado, faz com que as búfalas cortem a lactação se notarem a ausência das crias. A alimentação em mamadeiras, mesmo que individuais, é complicado, trabalhoso e traz muitos problemas para os bezerros, levando-os a um alto índice de mortalidade.

5.2.-  DURANTE A ORDENHA DEIXAR UM TETO PARA O BEZERRO (NÃO ACONSELHÁVEL)

É muito comum se ouvir falar em  deixar durante a ordenha um teto para o bezerro. Tratando-se de um plantel bovino, tudo bem, pois a vaca bovina só deixa a sua cria mamar. Quando se refere a búfalos, aí é diferente. A búfala por ter hábitos gregários e instinto forte de conservação da espécie, deixa, na maioria das vezes, outros bezerros búfalos mamarem, sem perceber que pode deixar seu filho com fome.

Os bezerros maiores, numa voracidade incrível, afastam os mais fracos do úbere disponível, numa tentativa de sugar o líquido precioso. Não mamando um dia, no segundo dia o bezerrinho estará mais fraco  para enfrentar a concorrência e no terceiro dia morre de inanição, sem muitas vezes o proprietário saber porque. Caso os bezerros fiquem com suas mães até à tarde, conseguem mamar o suficiente para sobreviverem, entretanto se o tempo de convivência for curto, o índice de mortalidade dos bezerros será muito alto.

5.3. - USO DE AMAS DE LEITE (ACONSELHÁVEL)

No meu entender, as amas de leite e o encontro das mães com os filhos, são os melhores manejos que se pode fazer em uma pecuária bubalina de leite. Calcula-se em torno de três a quatro bezerros para cada ama de leite, de acordo com a produção de cada búfala. As amas de leite pertencem ao mesmo rebanho das búfalas em lactação. Na hora da ordenha separa-se esse lote das demais búfalas.

5.3.1.-  A ESCOLHA DAS AMAS DE LEITE

A. - BÚFALAS DE 1 A 15 DIAS DE PARIDA. A razão dessa escolha é que o leite das búfalas paridas até 15o dia, não se presta para queijos de massa filada como a mozzarrella e o provolone , porque existem resíduos de colostro no leite e a massa não fila. Entretanto, esse tipo de leite,  do 6o dia em diante, não apresenta problema  para a fabricação de outros tipos de queijos ou para ser consumido liquido.

B. -  BÚFALAS QUE SÓ SE DEIXAM ORDENHAR COM BEZERRO AO PÉ

C.-  BÚFALAS QUE TEM PROBLEMA NA ORDENHA

D.- BÚFALAS COM MASTITE. A escolha desse tipo de ama de leite fica à cargo do proprietário, visto a grande divergência que existe entre os veterinários. Eu sou da opinião de que não há problema. Além das crias só terem contato com suas mães no outro dia, é conhecido que quando os bezerros mamam em suas mães a incidência de mastite é menor de modo significativo àquelas que não possuem os bezerros mamando. Isso, impediria a contaminação das mães desses bezerros.

5.4. - CONTATO DAS BÚFALAS COM SUAS CRIAS

Terminada a ordenha, todos os bezerros cujas mães estão em lactação, saem do bezerreiro e vão ter com suas mães, onde permanecem por apenas 30 minutos. Essa confraternização dá  certeza às búfalas de que seus filhos estão vivos e portanto, há razão de continuar a lactação. Isso também traz saúde para as búfalas, pois os bezerros mamam os resíduos de leite que porventura tenha ficado da ordenha. O local desse encontro não deverá ser no curral pelo espaço restrito além disso,  os bezerros ficam entretidos com as primeiras búfalas ao seu alcance.

Muitas vezes a mãe não consegue encontrar o seu filho e o tempo escasso termina. De preferência, os encontros das mães com os seus filhos deverão ser em um pequeno piquete perto do curral, para facilitar as manobras. Outro manejo, muito bom, eficiente e prático é o de se construir um curral, em que estando os bezerros contidos nele,  as búfalas suas mães, possam colocar as suas cabeças para dentro desse curral e reconhecer os seus filhos, acariciando-os com lambidas por um tempo que achar necessário, até o término da ordenha . Esse curral deverá se situar na saída da ordenha, que é a passagem obrigatória das búfalas com destino ao cocho ou ao pasto.

5.5. - A AMAMENTAÇÃO DOS BEZERROS NAS AMAS DE LEITE

Após o contato dos bezerros com suas mães, as amas de leite ingressam na sala de ordenha onde receberam, primeiro os bezerros com até um mês de idade e os debilitados, depois os com até dois meses. Não aceitando os bezerros, as amas serão amarradas por um pé. Assim contidas, deixam que eles mamem com facilidade após algumas esperneadas. Os bezerros, após mamarem nas amas de leite, permanecerão no bezerreiro que  deverá estar limpo, com água fresca e ração balanceada à vontade e só voltarão para mamarem no dia seguinte . Os demais bezerros ou seja, os com mais de dois meses, se possível, deverão ir para um piquete, quando retornarão ao bezerreiro no fim da tarde, para receberem uma pequena quantidade de concentrado e volumoso à vontade no cocho.      

5.6. - A ALIMENTAÇÃO DE BEZERROS ATÉ DOIS MESES DE IDADE

Segundo a Embrapa, um bezerro que for bem alimentado com leite  e  concentrado à vontade no cocho, poderá com dois meses de idade ter retirado da sua dieta, o leite. O volumoso não deverá constar na alimentação dos bezerros até dois meses de idade, caso tenham concentrado e leite. O aparelho digestivo dos bezerros, até dois meses de idade, ainda não está apto a extrair dos volumosos os nutrientes que  necessitam, fato esse, que diminuem o consumo dos concentrados.

5.7. -  BEZERREIRO

A mortalidade de bezerros diminui muito quando mantemos o bezerreiro limpo, de preferência suspenso, com cochos e bebedouros asseados, apresentando várias divisões para acomodar os bezerros por faixa etária e de fácil acesso à fiscalização.Todavia, a preferência  por bezerreiro recai sobre o de tipo gaiola, que é de fácil manuseio e pode ser distribuída em um piquete.

6. -  VANTAGENS DA ORDENHA SEM BEZERRO AO PÉ

·        Menor tempo de ordenha

·        Maior tempo de pastagem para as búfalas

·        Menor número de funcionários, reduzindo pela metade o seu número

·        Menor tempo de serviço (intervalo entre o parto e a cobertura), pois as búfalas que passam menos tempo          com suas crias, entram no cio mais rápido.

·        Maior número de cria por búfala durante sua vida útil  (mais prolífera)

·        Maior produção diária, visto a menor permanência das búfalas com suas crias, no caso de uma ordenha.

7. - OBSERVAÇÕES FINAIS

Procuramos, nesse trabalho, transmitir para o leitor um manual de boas práticas no que se refere à ordenha sem bezerro ao pé. Os relatos acima mencionados são os frutos de vários anos de observações diárias do comportamento das búfalas e suas crias. Além das pesquisas na Internet, livros, sugestões de amigos e professores, observamos  também, a psicologia dos animais, para poder entender como funcionam os estímulos das búfalas diante de diversas situações. Na tentativa de atingir a nossa meta, muitas vezes, passamos alternadamente  por sucessos e insucessos, mas sempre com perseverança. Ao adquirir uma estabilidade satisfatória no assunto, resolvi escrever esse trabalho.

Octubre 2003

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ZOE Tecno-Campo