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  Búfalos: Comentarios sobre cría en confinamiento o estabulado

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Autor Tema:   Búfalos: Comentarios sobre cría en confinamiento o estabulado
Grupo Búfalos
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enviado 06-08-2005 17:45           Editar/Eliminar Mensaje
cordial saludo a toda la gente del grupo

les quiero solicitar
si alguno tiene informacion referente a estabulación de bufalos,
bien sean experiencias o cualquier otro tipo de material

estoy preparando una conferencia y realmente la información disponible
en Colombia es bastante limitada

muchas gracias
José

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Grupo Búfalos
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enviado 06-08-2005 17:46           Editar/Eliminar Mensaje
En nuestra Hacienda Fortaleza en Monteria, trabajamos con bufalos en
estabulacion, lo invito si esta interesado a conocer la explotacion.

Claudia Roldan
fortaleza@epm.net.co

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Grupo Búfalos
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enviado 06-08-2005 18:10           Editar/Eliminar Mensaje
Sobre este tema pueden consultarse varios archivos aquí:
http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos/files/Estabulado/

Probablemente tengan que estar registrados en el grupo para la consulta. Pueden registrarse siguiendo el enlace al pie.

------------------
http://br.groups.yahoo.com/group/bufalos/

Suscripción:
bufalos-subscribe@yahoogrupos.com.br

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Grupo Búfalos
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enviado 06-08-2005 18:10           Editar/Eliminar Mensaje
Prezados Companheiros
Os trabalhos sobre estabulação indicados são interessantes sob o ponto de vista científico, mas,
para aplicá-los, impõe-se que examinemo-los sob alguns pontos de vista não menos importantes: o
econômico; o de bem-estar animal; o da qualidade da carne produzida. Antes de tudo e de mais nada,
devemos esgotar totalmente o exame das possibilidades de engordarmos nossos novilhos búfalos em
pastagens verdes, belas e produtivas. Para continuar na senda da qualidade da carne, devo relatar que
assessorei no Rio Grqande do Sul uma empresa que engordava búfalos em confinamento e não foram
poucas as partidas rejeitadas pelo odor desagradável da carne produzida nessas condições. Usava-se
massa de soja, resíduo úmido da extração do óleo.Búfalos engordados a pasto, em que os aspectos
etológicos são levados na mais alta conta, sempre tiveram, têm e terão excelente carne. O confinamento
será uma desvantagem competitiva da espécie. O mal estar que demonstram quando são submetidos a
esse tipo de manejo é visível.
Um abraço do
Humberto Sorio

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Grupo Búfalos
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enviado 06-08-2005 18:13           Editar/Eliminar Mensaje
Caro Dr. Humberto,

Aproveito o "gancho" de sua mensagem para fazer 2 considerações:

1 - Lendo o trabalho que o Otavio divulgou, o que mais me chamou atenção foi
saber que os animais, durante o experimento de 84 dias, individualmente
foram mantidos "engaiolados" em espaços de 2 metros quadrados ! Mesmo não
sendo um ferrenho adepto ou conhecedor da etologia, achei que essas ínfimas
dimensões extrapolaram o simples bom senso de qualquer "leigo mortal"...
Coitados dos bichos !

2 - O senhor cita mais uma vez nesta lista, os mesmos problemas que aqui ja
foram comentados, de odor desagradável da carne de alguns búfalos
confinados. Ressalvando eventuais falhas minhas no recebimento de mensagens,
reitero que não captei até hoje, em nossa lista, nenhuma explicação técnica,
cabal, conclusiva, a respeito disso. Apenas algumas hipóteses foram
levantadas. Acho que se os técnicos participantes da lista desconhecerem o
assunto, ( o que não é desmérito ), pelo menos deveriam "vir a público",
afirmar que desconhecem. Como seria bom se aproveitassem a oportunidade para
esclarecer-nos se é fato ou boato, que a carne de búfalo "aguenta" menor
tempo de prateleira, dizendo-nos o que sabem ou o que não sabem a respeito.
Essa questão também faz tempo que foi levantada.

PS : Como falamos em etologia, e sei que o senhor se interessa muito sobre essa ciência, gostaria de ser esclarecido se ela permitiria ou aprovaria alguma atitude de manejo que garantisse maior lucratividade aos criadores, mesmo que acarretando prejuizos ao desenvolvimento, saúde, alimentação e bem estar dos animais.

Outro abraço,
Jonas.


Abraços de seu admirador,
Jonas

[Este mensaje ha sido editado por Grupo Búfalos (editado 19-08-2005).]

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 18:50           Editar/Eliminar Mensaje
Prezados Fidencio, Jonas e Humberto,

De cada uma das intervenções abalizadas sobre o tema estabulação de búfalos,
acho oportuno indagar pela ordem, o seguinte:

1. Ao Fidêncio, que com certeza já explora a pecuária bubalina para a
produção de leite (com transformação própria de derivados) e de carne, a
opinião a respeito do sistema de produção ideal para essas diferentes especializações, ou seja, confinamento, semi-confinamento ou pastoreio rotacionado.

2. Ao Jonas, quanto à questão da etologia, se ela não tem que estar totalmente subordinada à exploração econômica, ou seja, o conforto dos
animais não passa de uma boa prática de manejo que ajuda o criador a agregar
renda à atividade.

3. Ao Humberto Sorio, se realmente o confinamento é uma desvantagem para a
espécie, mesmo para o caso dos criatórios com objetivos da produção desestacionalizada do leite. Pelo que eu entendo a desestacionalização exige o confinamento, pelo menos na região sudeste, durante todo o período da seca (de abril a outubro).

4. Aos três, com relação ao odor da carne, se ela não é conseqüência única
de más condições de arraçoamento no período de acabamento de animais muito erados.

Particularmente, eu acredito que a pecuária bubalina deve promover, a exemplo da avicultura, uma exploração baseada em projetos de integração para a produção de safras de leite e de carne em sistemas de produção voltados para a máxima agregação de renda pelo atendimento às demandas regionais de mercado por produtos com alto valor agregado.

Isso redundará em fazendas especializadas na cria e recria em pastejo rotacionado com creep feeding de bezerros e superprecoces, em
semi-confinamento de matrizes leiteiras e dos novilhos precoces em terminação e em confinamento para acabamento dos búfalos de corte em engorda.

Não tenho dúvida alguma de que a qualidade da carne dos novilhos precoces, o
produto hoje com maior potencial de agregação de valor, só pode ser
controlada e garantida em regimes de confinamento na estação seca e de
pastejo rotacionado com creep feeding nas águas.

Um abraço,
Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 18:51           Editar/Eliminar Mensaje
Roberto,
na minha região, os frigoríficos pagam a carne de búfalo a preço de vaca.
Desta forma, a decisão tomada este ano compreende:
-não vender os machinhos para recria; instalá-los em um pasto afastado e
isolado das búfalas; neste pasto,
clocar cana picada com ureia `a vontade, em cocho apropriado;
-abater os animais na faixa de 13-14 arrobas, com a idade de 16-20 meses, em
pequenos lotes, com os açougueiros locais, que não fazem a limpeza enorme
dos frigoríficos; assim, resolvemos 3 problemas: não vendemos lotes grandes,
correndo pouco risco na venda, que é sempre a prazo; evitamos a grande
limpeza do frigorífico, que tira tudo o que pode; abatemos os animais antes
da muda, fazendo com que tenham um redimento maior; nesta idade o
crescimento do búfalo é muito compensador.
E, de quebra, fornecemos carne de primeira.
Roberto, o confinamento não é uma desvantagem para a espécie, como você
concluiu. O búfalo se sai melhor no confinamento do que o nelore!
Um abraço,
Fidencio

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 18:52           Editar/Eliminar Mensaje
Caro Roberto,
Resposta 1 - Pela resposta do Dr. Humberto, creio que a etologia ( ciência
da qual não entendo nada ) "exige" que o bem estar dos animais e aspectos
econômicos sejam harmonizados, sem que nenhum dos 2 aspectos se submeta ao
outro.
Resta-me a dúvida de como a etologia "enxerga" os casos em que essa
harmonização mostra-se impossível de ser praticada. Exemplo : Restringir
pela metade o crescimento dos bezerros, em razão da ordenha de suas mães.
PS. : Longe de mim estar condenando bubalinocultores que exploram leite,
mesmo porque eu adoro mozzarella...
Apenas tenho curiosidade de saber como a etologia analisa esses casos.

Resposta 2 : Assim a maioria, também acho que a ração fornecida é a maior
causadora do problema ( não importando a idade dos animais ), mas Otavio
citou informações " italianas ", que põe a culpa na sujeira das instalações
dos confinamentos.
Jonas.

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 18:58           Editar/Eliminar Mensaje
Roberto,

Embora tenha se dirigido aos colegas criadores nominalmente, não pude
deixar de relatar as nossas experiências nesse sentido. Desculpe-me por
estar intrometendo sobre o assunto em consideração.
Durante 20 anos, vinte anos, mantemos em Botucatu um rebanho leiteiro
de Bufalas totalmente sob condições de confinamento. Ali estudamos quase
tudo que pudemos em função dos problemas que poderiam surgir, desde o comportamento dos animais até a qualidade dos excrementos e a quantidade excretada diariamente, durante o referido periodo. Foi um trabalho arduo.
Mantivemos sempre a metadade da area coberta e a outra descoberta. O piso sempre de cimento e com agua que jorrava das torneiras ou bebedouros em decorência da curiosidade dos animais. Nenhuma delas permanecia fechada durante as 24 horas. Durante o periodo nunca tivemos problema de cascos.
O leite foi fornecido ao Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina
de Botucatu durante pelo menos dez anos com recomendação para ser fornecido às criaças diluido em agua 50% e acrescido de leite em Pó em decorrência do teor de gordura. Nunca tivemos problemas com isso. Todavia encontramos bufalas que apresentava o leite com alto grau de acidez ou seja 21 de Grau
Dornic. Fizemos, em varias oportunidade, cultura do leite e nada encontramos
que pudesse desabona-la, a não ser considerar o fato como um problema
fisiológico inerente ao animal. Tinha mastite sim, as vezes um ou outro
animal aparecia com o problema.
Dentro desse periodo o problema mais sério era o de verminose. Todos os bezerros tinham que ser vermifugados rigorosamente todos os meses. Num determinado momento, fizemos uma tese de doutoramento com uma Professora do
Departamento de parasitologia. Durante dois anos não vermifugamos os animais. Aqueles que não pereceram até aos 98 dias de idade, se não me falha a memória agora, não morriam mais de verminose. Essa foi uma das conlusões entre outras do referido experimento.
Durante cinco anos mantivemos os animais consumindo, cana em todas as suas formas (somente ponta, somente a cana, ou cana integral ), da mesma forma usamos capim elefante no periodo, sempre acrescida de uma mistura mineral com SAL e URÉIA. Isso foi para fazer o primeiro simpósio de Sal
Uréia e Minerasl que ocorreu no país. Nunca deixamos de fazer o controle leiteiro e nem de pesar os animais durante o periodo, para as condições em que os animais foram mantidos em confinamento. Os machos e Fêmeas desmamados foram sempre submetidos a prova de ganho de peso. Como constitui num
programa da Faculdade os bufalos sempre estiveram acompanhados de outros
animais: Chianina, Caiuá, Beefalo, Nelore etc. O objetivo não era comparar
os bufalos as demais grupos genéticos e sim medir o seu desempenho. Nunca,
os animais bubalinos deixaram de ganhar menos de Um Quilo por dia, sob as
mesmas condições de confinamento. Em muitas oportunidade no final das provas
era feito um dia de campo com apresentação dos animais e um churrasco no
final. Sempre com a presença da carne de Bufalo e a de bovinos adquiridas no
mercado. Usamos a mais variadas formas de espeto para testar o sabor, a textura e a aparência da carne. Quem acertava era simplesmente ao acaso.
Nunca se observou uma tendência para essa ou aquela carne pelos presentes.
Faziamos os sequintes espetos: totalmente de carne de bufalo ou de bovino, a
metade de carne de bovino e a outra metdade do espeto de bufalo; pedaço sim
pedaço não de carne de bovino e de bufalo e assim sucessivamente. Todos os consumidores tinham que anotar o numero do espeto que nós sabiamos o que continha nele e responder um questionário, a respeito, das caracteristicas da carne, da textura, do sabor e se sabia que tipo de carne era (alcatre, coxão mole, fraudinha etc). Os resultados disso se acham no livro Resumos de Pesquisas com bubalinos que editamos para comemorar 30 anos de pesquisas com
bubalinos em Botucatu. Assim, deixar um legado para saber o que se fez com
os animais dessa espécie.
Fizemos todas as altenativas possiveis com os bufalos sob pastagens de Brachiaria Tanner Grass, aquela que se dizia toxica, adubando ou não com Uréia, sulfato de amônia ou nitrocalcio, para saber qual dos adubos estava provocando as mortes ocorridas nos bovinos e mesmo nos bubalinos, como
ocorreu no Steca em Sorocaba, afinal nada ficamos sabendo, suspeitamos do
desenvolvimento de toxidade de um fungo que se desenvolve no talo proximo ao solo naquela brachiaria. Da mesma forma o Biológico também não descobriu a
causa e nos ficamos sem saber o que matou os animais.

O objetivo de Botucatu ter Bufalos foi estudar tudo sobre esses animais,
desde o seu potencial produtivo, reprodutivo, comportamental, sua tolerancia
ao calor, sua capacidade adaptativa, as reações imunológicas, parasitárias,
sua exigencias nutricionais, sua tolerancia aos ecto e endoparasitas , etc.
Testar as vacinas que ora se aplicam aos bovinos etc., todavia tudo isso foi
mal compreendido pelos colegas da Faculdade que não viam a importância que
os Bufalos representam no mundo e no Brasil. Lamentavelmente as coisas são assim e não podemos mudar. Ainda recentemente fornecemos 5 reprodutores para se fazer coleta de semem e a sexagem dos espermatozóides. Trabalho esse que se encontra na sua fase final de redação na forma de tese de mestrado.
Também mandamos uma pessoa nossa ao Japão para se fazer treinamento em reprodução animal com o objetivo de fazer TE, FIV, e saber um pouco da fisiologia das búfalas. Para isso montamos inclusive um laboratório de Endocrinologia, para estudar não só a fisiologia como a extrutura do aparelho reprodutor das Bufalas. Durante dois anos sucessivos, mantivemos em coleta, cerca dez bufalas e as demais, cerca de 40, para receber os embriõies coletados. Chegamos coletar 6 embriões viaveis, congelamos uns e
transferimos outros. Em nenhuma oportunidade tivemos o sucesso desejado. Não sabemos se foi o manejo dos animais, pois estavam em confinamento ou outro.
Não tivemos, como o Prof. Horashi no Pará, o sucesso esperado e obtido nos
bovinos, como os conseguidos pelo do Dr. Pietro. O fato é que ainda sabemos
pouco a respeito desses animais, e particularmente de sua fisiologia, é para
isso que existimos e precisamos reunir esforços. Pois os resultados nessa
área ainda são pequenos diante dos desejados.
Nas provas de ganho de peso sabemos também que esses animais não respondem ao excesso de concentrado na ração como os bovinos, informação pessoal do Prof. André. Há limites para eles, o que indica ser necessário
estudar as sua limitações.
O fato é o seguinte, estamos diante de uma espécie extraordinária, que
eu gostaria de ver ser mais cantada em todos os rincões desse país.
Prof. Alcides.

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 18:59           Editar/Eliminar Mensaje
Prezado Jonas,

Muito interessante a sua observação sobre a acomodação da etologia (ciência
da qual eu também não entendo nada) com o manejo de bezerros em produções de
leite.

Acho um exagero, como inclusive estou respondendo ao Prof.Sorio, não
subordiná-la aos interesses econômicos.

Se essa subordinação não ocorrer, pode-se chegar ao exagero de condenar até
mesmo a busca pela precocidade, pois desta forma, os búfalos vão estar
prontos para o abate cada vez mais cedo.

Exageros a parte, outro dia eu visitei um site de um veterinário do Paraná
fazendo campanha para que se boicotem os restaurantes que servem carne de
vitela pois essa carne é oriunda de "bezerrinhos separados das mães no
primeiro dia de vida" e criados acorrentados em casinhas, sem nenhum
respeito ao conforto ambiental.

Um abraço,
Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 19:00           Editar/Eliminar Mensaje
Fidencio,

Na verdade eu não considero o confinamento como uma desvantagem para a
espécie, muito pelo contrário...

Na minha última réplica ao Humberto Sorio acredito que deixo isso bem claro.
Parabéns pelo seu manejo de terminação de machinhos. Achei particularmente
inteligente e perfeito do ponto de vista de marketing.
Um abraço,
Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 19:03           Editar/Eliminar Mensaje
Prezado Prof. Alcides,

Fiquei impressionado com o relato das experiências durante 20 anos, em
Botucatu.

Acho que posso ajudá-lo a publicar por meio digital uma súmula dos
resultados obtidos ao longo desses importantes experimentos em um portal de
conteúdo específico sobre a mais valia dos búfalos na cadeia produtiva das
proteínas de origem animal.

Estou às ordens para conversarmos a respeito.
Um abraço,
Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 19:07           Editar/Eliminar Mensaje
Prezados Companheiros de Lista
Sabia que minha intervenção sobre colocar em dúvida a necessidade de estabulação e a perda da
vantagem competitiva da espécie nesse sistema de criação iria gerar polêmica. Alegra-me que tenha
sido assim, ainda mais que tenham vindo de pessoas tão cultas e sábias como Jonas Assunção e
Fidêncio e o vibrante Roberto. Tento responder as muito bem formuladas perguntas de Roberto Mesquita.
Dizem que o gênio é o que sabe fazer perguntas. Os arrogantes, os néscios,os parvos e os pretensiosos
querem logo responder. Assumo o risco, cacoete do ofício, metendo minha colher quebrada nos pratos
que pertencem a Fidêncio e a Jonas.Viva a polêmica!
1.Tenho de esclarecer que o odor desagradável produzido na carne de búfalos engordados em
estabulação (confinamento total) pode e deve ter muito a ver com os componenetes da dieta. No caso de
minha relatada experiência, um ingrediente era a tal de massa de soja úmida, que não primava pelo
agrado ao olfato já quando depositada no estábulo, à espera de ser fornecida aos animais. Agora,
isso também é verdade, o ambiente repugnante sob o ponto de vista do bem-estar dos animais, a
aparência nada confortante do entorno do criatório - dentro e fora da instalação - e o odor nauseabundo
que emanava eram percebidos pelas pessoas visitantes. Tudo isso se refletiu na carne e o
frigorífico comprador do animal em pé a rechaçava.
2. Sistema avançado de produção animal, que é meu nicho de atuação profissional e, de certo
modo, de vida, deve estar comprometido inextricavelmente com cinco atributos: viabilização econômica
do produtor; bem-estar animal, do ser que trabalha e do que é criado; preservação do ambiente e dos
recursos naturais; preferência do consumidor e; interesses da sociedade e da Nação. Eles não se
excluem e, a meu ver devem ser perseguidos em conjunto, mesmo que por etapas.
3. Para produção desestacionalizada há que se tomar muitas medidas, já do conhecimento de nossa
lista. Na Fazenda Redomão, os resultados têm sido muito significvativos no melhoramento genético,
já que a exploração leiteira aqui no garrão de nosso Brasil recém ensaia seus primeiros passos.
Devo dizer ao amigo Roberto Mesquita que está a incorrer em um pequeno equívoco de terminologia.
Deve-se compensar as flutuações estacionais do crescimento dos pastos (este foi o termo cunhado por
mestre Voisin) em qualquer região do mundo, onde para o mesmo efeito existem distintas causas. No
caso do centro-oeste e sudeste do Brasil, ese fenômeno ocorre por seca e baixas temperaturas.
Forrageiras tropicais são também afetadas por essa causa, já que apreciam temperatuiras superiores a
25ºC para crescimentos impetuosos. Com qual suplemento alimentar se haverá de fazer essas
compensações é que será a questão principal a ser resolvida. Temos três soluções entre as conhecidas: feno;
silagem e concentrado. Feno é excelente, quanto a aspectos econômicos e técnicos, mas ainda não
temos cultura (no sentido de mentalidade) para usarmos mais intensamente esse recurso. Silagem não é
economicamente compensadora para gado de carne. Mesmo na exploração leiteira deve ser usado com
parcimônia e não pode ser a principal fonte de volumoso na dieta. No caso de concentrado, ainda mais
se acentua essa contatação. Aspecto que merece nossa atenção é onde administrar esses suplementos
alimentares. A melhor solução sempre será a campo, sem necessidade de manter os animais sob
confinamento. Arraçoamento a campo contemplará o bem-estar animal e não haverá necessidade de
instalações, sempre de alto custo, além do que não teremos as duras tarefas de remoção de dejeções animais e
os gastos delas decorrentes. Em qualquer caso, sempre terá o produtor de providenciar, com a
devida antecedência e sob orientação de seu consultor, no período pletórico, a formação de reservas
forrgeiras para enfrentar com galhardia os tempos bicudos da escassez, ou seja aqueles em que as
necessidades animais superam o crescimento dos pastos.
4. Não aprecio muito dar respostas peremptórias, mas diante dos fatos que se descortinam diante
de minhas convicções, hauridas nas obras de Voisin e de Romero, devo dizer que, sempre e em
qualquer lugar, me alinharei na arrebatadora hoste do pastoreio. Voisin confinava seus animais ante a
chegada do rigoroso inverno normando e o nulo crescimento de seus pastos. Já Romero, no meridião
brasileiro, com invernias não tão rigorosas, vale-se de feno, preparado no auge do verão. Ambos
estavam a proceder corretamente diante da peculiaridade das circunstâncias do local onde atuava aquele
e atua esse, do alto de seus 82 anos de riqueza de seu espírito e de sua experiência. Tão pronto o
crescimento dos pastos se manifestava, Voisin voltava com seus animais para o pasto. Nos Estados
Unidos, Vermont, o Prof.Bill Murphy tem experiências riquíssimas sobre o significado econômico e
etológico de retardar a retirada dos animais do pasto na entrada do inverno para os galpões
aquecidos e antecipar seu regresso na entrada da primavera. Ele aprendeu Voisin aqui no Rio Grande do Sul
e o aplica, desenvolve e anima sua adoção em seu país.
Envio a todos os componentes desta edificante lista meu afetuoso abraço e os votos de que
continuem assim, na pureza de propósitos e na retidão de caráter, a servir nossa Nação e toda a
Humanidade. Orgulha-me e lisonjeia-me dela fazer parte e ver quanto conhecimento nela circula todos os
dias.
Humberto Sorio

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Grupo Búfalos
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enviado 19-08-2005 19:11           Editar/Eliminar Mensaje
Prezado Professor Sorio,

1.Sua informação confirma minha impressão de que o confinamento bem implementado com boas práticas de manejo não causará qualquer degradação na qualidade da carne de búfalo, muito menos quanto ao odor desagradável. Na
verdade resta apenas discutirmos sobre a viabilidade econômica do confinamento para produção da carne e de leite.
Particularmente continuo convencido de que o confinamento é a grande arma para uma perfeita gestão da qualidade da carne na fase de acabamento dos búfalos (como também dos bovinos).
Outro ponto importante a meu ver a favor do confinamento está na capacidade
de agregação de renda graças à oportunidade de gerar concentradamente uma
oferta de carne em "época de vacas magras",ou seja na entressafra, que
historicamente é responsável pelos melhores preços pagos aos produtores, no
ano.

2.Quanto ao sistema avançado de produção animal, que de uma certa forma é
também o meu nicho profissional, só discordo que os cinco atributos sejam
geridos inextricavelmente, ou seja emaranhadamente, pois entendo que haja
uma hierarquia natural em favor da gestão prioritária da viabilidade econômica para o produtor.

3.Com relação ao meu pequeno equívoco de terminologia, confesso que não
entendi bem a correção do meu preclaro mestre. Aparentemente para mim, as
sugeridas "suplementações alimentares para compensar às flutuações estacionais do pastejo rotacionado", precisarão ser explicadas ao peão responsabilizado pelas mesmas como sua nova tarefa diária para colocar o trato no cocho e em seguida fechar o lote no confinamento.

Por último, concordo plenamente quanto à importância de podermos debater
abertamente nesta lista tão importantes temas, mas continuo ansioso para que
possamos também defender e demonstrar nossas teses em sistemas demonstrativos da pecuária de renda máxima com búfalos, mesmo que
preliminarmente geridos por este mesmo meio digital.

Um abraço,
Roberto.

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