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Autor Tema:   Búfalos: Comentarios sobre aftosa
Grupo Búfalos
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enviado 22-10-2005 17:52           Editar/Eliminar Mensaje
Amigos da Lista,
Eu continuo pesquisando a possível maior resistência dos búfalos à febre
aftosa, pois entendo ser este o principal ponto de venda para a carne
bubalina com valor agregado.

Incompreensivelmente, aqui na lista apenas o Migliorini emitiu opinião a
respeito, parecendo que este tema é irrelevante para criadores,
pesquisadores e demais aficionados dos búfalos.

Particularmente, como homem de marketing eu diria que está passando na
frente dos competentes produtores de carne bubalina, até agora depreciada e
consumida como carne de vaca, um búfalo arreado com uma belíssima sela
Marajoara que levará quem simplesmente se arrisque a montá-lo direto para o
lucrativo mercado da carne de qualidade fortemente demandada por
consumidores que valorizam alimentos funcionais e segurança alimentar.

Em meio ao maçante "correio elegante" que tem tomado conta desta lista,
tenho fugido para outras fontes de informações virtuais que de uma certa
forma sempre confirmam a sensação de que existe um lado útil a ser extraído
do atual surto de febre aftosa no MS.

A notícia a seguir mostra que além do Estado de Goiás, Rondônia também já
está se preparando para tirar proveito (no bom sentido) da crise que se
instalou no mais importante centro de produção de carne do Brasil:

Rondônia planeja exportar para Rússia
Nos próximos dias poderá ser confirmada a venda de carne bovina de Rondônia
para a Rússia. De acordo com Antenor Nogueira, da CNA, a possibilidade de o
estado exportar carne para esse país é grande, devido aos focos de febre
aftosa ocorridos nos últimos dias no Mato Grosso do Sul.

Rondônia é uma das regiões do país que possui rebanho bovino suficiente para
abastecer o mercado russo, juntamente com Rio Grande do Sul, Goiás e Mato
Grosso. O rebanho bovino e bubalino do estado estão estimados em 11,2
milhões de animais, além disso, Rondônia já é uma referência nacional em
campanhas de vacinação contra a febre aftosa.

De acordo com o superintendente do Mapa em Rondônia, João Valério, ainda não
existe nenhuma confirmação da venda da carne bovina estadual para o mercado
russo, porém essa é uma possibilidade que pode ser concretizada nos próximos
dias. "Aqui já existem dois frigoríficos habilitados e autorizados a
exportar carne para a Rússia", informou Valério.

Em Rondônia foi aumentada a fiscalização em pontos estratégicos como
Vilhena. "Mesmo estando longe do foco, estamos em estado de alerta para
continuarmos mantendo a sanidade animal do nosso rebanho", esclareceu.

Fonte: Folha de Rondônia, adaptado por Equipe BeefPoint

Por último, chamo a atenção para a intrigante declaração de que "Rondônia já
é uma referência nacional em campanhas de vacinação contra a febre aftosa."

Que eu saiba, existe uma expressiva população dos "Búfalos do Guaporé" que
não são "picados por agulhas da vacina de aftosa" há pelo menos 15 anos.

Parece que o amigo Migliorini tem razão quanto à rusticidade da espécie,
inclusive no tocante à vulnerabilidade menor para contaminação com a Aftosa.

Um abraço,
Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 22-10-2005 17:54           Editar/Eliminar Mensaje
Aqui no Rio Grande não tenho notícias de que se tenha tido aftosa em
bufalos. Lembro de cerca de 30 anos atrás, já se começara a criação de
bufalos no Estado, e houve um surto de aftosa grande no Estado, oportunidade
em que um já criador de búfalos, teve em todo o gado bovino mas não no
bubalus. Sergio.

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Grupo Búfalos
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enviado 22-10-2005 17:56           Editar/Eliminar Mensaje
Há relatos de que determinadas sorotipos de virus da aftosa como o Asia 1 atingem de forma mais
severa os bufalos que os bovinos. Várias formas da doença foram relatadas em búfalos na Índia, Egito
e Romenia.

A susceptibilidade dos búfalos à aftosa varia conforme o país e a variedade existente do vírus.
Durante o estágio agudo da infecção a doença pode ser transmitida de bovinos para bubalinos e vice
e versa. Ocasionalmente os búfalos se não são afetados apesar de entrarem em contato direto com
bovinos infectados. No Nepal, os sinais clinicos em bubalinos são relativamente moderados, com as
femeas apresentando queda de produção mesmos aquelas em contato com bovinos com sinais clássicos da
doença.

A persistencia da infecção em búfalos após 35 dias após a infecção é similar à observada em
bovinos. Bubalinos e bovinos podem se manter portadores por 18 a 24 meses, inclusive aqueles vacinados e
expostos a infecção.

Fonte: Buffalo Production an Research - REU Technical Serie 67 - FAO Regional Office for Europe.
Borguese,A. Rome, 2005

Otavio

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:09           Editar/Eliminar Mensaje
Prezados Otavio e Migliorini,
Gostaria de conhecer a opinião de ambos a respeito do surto de aftosa no MS, medidas implementadas pelo MAPA e implicações na cadeia produtiva da carne bubalina.
Abraços,
Roberto Mesquita

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:13           Editar/Eliminar Mensaje
Roberto Mesquita, bom dia
Aqui em M.S., quanto o surto de febre aftose, as dúvidas e incertezas
encabeçam as opiniões;
Há certeza apenas em relação a duas questões;

1a.) Se o Governo Federal não tivesse reduzido em mais de 50% a dotação
orçamentária destinada ao agro-negócio, os mecanismos de vigilância
sanitária junto a fronteira do Paraguai teriam impedido a entrada para cá
de bovinos contaminados, bem como, a Embrapa teria como desenvolver
pesquisas, no sentido de detectar a mutação do vírus ou sua resistência para
com as vacinas existentes no mercado;

2a.) É com relação a rusticidade bubalina, pois, aqui até o momento não se
registrou sequer um caso de búfalo com febre aftose.

Enquanto isso, o Lula faz uma piadinha, isto é, declara que os responsáveis
por essa catástrofe econômica e social (milhares de assalariados sem seu
soldo nos frigoríficos) são os pecuaristas.

Será que ELE desconhece o fato de que o produtor rural não tem condições
sequer de botar o preço naquilo que ´produz, quanto mais fiscalizar 800
km. de fronteira e fazer pesquisas científicas para conseguir novas
descobertas para proteção de nosso rebanho bovino?

Será que ELE não sabe que a produção de alimento é uma questão de
segurança nacional e que não sobrevive sem a tutela do Governo?

Ainda bem que, com a liberação de parte dos recursos, que no passado foram
sonegados pelo Poder Público, o MAPA terá condições de colocar MS. em seu
estado anterior, que por via de conseqüência, a cadeia produtiva da carne
bovina se processará em pleno vapor, adicionando-se a ela a carne bubalina,
de vez que tem sabor e aparência praticamente idênticos.

Isto ocorrerá enquanto o brasileiro permanecer em sua ignorância, no que
tange as propriedades químicas da carne bubalina. Por se tratar de uma
questão de educação pública, cabe ao Poder Publico esclarecer isto a população. Quando isto ocorrer, a cadeia produtiva da carne bubalina se processará não em conjunto, mas, paralelamente a bovina, só que com valor superior a do boi, como já ocorre nos países do primeiro mundo, onde o
povo é mais esclarecido que nossos irmãos brasileiros em relação à importância
da alimentação para a saúde.

Abraço de Migliorini - ACB-ms.

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:15           Editar/Eliminar Mensaje
Bom dia, Migliorini.

Dos dois pontos abordados, gostaria de aprofundar um pouco mais a questão
da possível maior resistência bubalina à febre aftosa.

Na verdade eu fiz uma pesquisa na Internet em relação às notícias
referentes aos surtos no país desde 2.000 e não encontrei nenhuma citação a casos de
aftosa em búfalos.

Assim, como parece que a provável origem dos focos atuais venha do Paraguai,
a pergunta que me intriga é se existe búfalos nessa região de fronteira
com esse país? Mais ainda, se existe rebanho de búfalos no lado paraguaio e se
como ocorre com os bovinos, há transporte ilegal de animais vivos ?

Voltando para o surto genérico, apesar de não ter qualquer confiança na seriedade da exploração pecuária do Paraguai, o mais intrigante para mim é que aparentemente do lado de lá não há nenhum caso confirmado? Isso é verdadeiro?

Por último, acho importante que todos os Criadores de Búfalos,
principalmente através das Associações Regionais assumam uma posição
pró-ativa na cadeia produtiva da carne bubalina para a certificação de
origem, garantia de qualidade sanitária e nutricional, como você sugere,
não em conjunto, mas, paralelamente a bovina, explorando principalmente a
condição de alimento funcional com absoluta segurança alimentar.

Talvez aqui uma pequena divergência de opinião, pois acredito que somente
a iniciativa privada (criadores, associações, cooperativas, frigoríficos,
distribuidores e varejistas) está capacitada para implementar ações objetivas nessa direção.

Um abraço,
Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:19           Editar/Eliminar Mensaje
Roberto,

Após o lamentavel surgimento de focos de aftosa no MS, tive oportunidade
de perguntar a todos nossos 5 funcionários da Boa Vista e mais ao meu filho
veterinário, André, que gerencia nossa fazenda, se algum deles já havia
visto um animal infectado por aftosa.
A resposta foi única : NUNCA !
Em seguida contei-lhes que alí mesmo, em nossa fazenda, até o final dos anos 60, era raríssimo passarmos um só ano sem a incidência da aftosa. Acho que a
última vez que a aftosa visitou a BV foi em 1972. Contei-lhes que a aftosa
em sí não matava, nem causava grandes prejuisos aos animais. Tão rápido
como adoeciam, os animais também saravam em 1 ou 2 semanas após. É verdade que
perdiam peso, principalmente pela dificuldade em caminhar e em pastar,
por conta das aftas nos vãos dos cascos e na boca. Ruim mesmo era quando a visita da aftosa chegava nos tempos de pastagens secas. Daí a perda de peso era maior, e se existissem individuos já enfraquecidos, a aftosa poderia liquidar sua vida.
Mas pior que ruim, muito mais péssimo que a própria aftosa eram as frieiras resultantes da doença :
As aftas dos pés davam origem a bicheiras de dificeis curas, profundas,
recobertas por um grosso tecido esponjoso. Em razão da dor que elas provocavam os animais transferiam seus apoios para a parte posterior de seus membros, e as unhas cresciam, fazendo os animais se achinelarem... Era desgraça pra mais de metro !
Esses animais incuraveis não engordavam. Quase todas fazendas dispunham de
um piquete pequeno, próprio para alojar esses animais, na espera do dia em
que pudessem ser comercializados para um linguiceiro qualquer, por preço insignificante.
Pois bem, desde 1960 acompanhava criação de búfalos do meu tio
Camarguinho,
e a partir de 1969 também comecei a cria-los. Nestes anos todos, em que
bovinos, bufalos e aftosas "viviam" juntos, me foi dado observar, o que afirmo a seguir :

1 - Muitas vezes tivemos surtos de aftosa que atingiu apenas parte de
nossos bovinos, poupando totalmente nossos búfalos.

2 - Outras vezes a aftosa atingiu indistintamente bovinos e bubalinos, mas
estes últimos, de forma mais branda.

3 - Apesar do significativo número de bovinos que apresentavam frieiras
como sequela da aftosa, nunca constatei qualquer dessa sequela em búfalos.
( Nossa explicação "cabocla" era de que os búfalos eram imunes às frieiras
por frequentarem barreiros, lagos e lamaçais )

Jonas.

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:22           Editar/Eliminar Mensaje
Jonas,
O seu relato confirma a menor vulnerabilidade dos búfalos relatada pelo
Sergio no RS e pelo Migliorini no MS. De uma certa forma acho que o Otavio
corrobora essa mesma situação pois aparentemente ele precisou recorrer a
registros de casos apenas ocorridos no exterior.

Raciocinando em cima disso eu fico imaginando se uma pesquisa
cientificamente desenvolvida em relação a não incidência da aftosa em
búfalos inseridos nas regiões atingidas pelos focos de aftosa registrados
nos últimos 5 anos (inclusive os atuais no MS) poderia certificar a
sanidade dos animais do Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná para abate e imediata
exportação para a União Européia e Rússia.

Pode ser meio complicado em termos práticos, mas independentemente da abertura para a efetivação dessas exportações, o simples anúncio dessa nova e estratégica vantagem comparativa em termos da sanidade dos búfalos deve render expressivos resultados na ocupação de espaços no mercado nacional
das carnes e derivados de leite de qualidade com absoluta garantia de
segurança alimentar.

Pode ser apenas um delírio do meu lado "marketeiro", mas se comprovado,
vou ficar muito feliz produzindo campanhas (de marketing digital) que difundam
o búfalo brasileiro, como espécie livre de aftosa "sem vacinação".

Roberto

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:24           Editar/Eliminar Mensaje
Roberto,

Apesar de, como relatado pelo Sergio e Jonas, não haver registro (a menos
que eu saiba) da não ocorrencia de focos no país, bem como pelas citações da
relativa maior resistencia da espécie em alguns países, infelizmente, a
espécie é susceptível, como demonstram os trabalhos efetuados no exterior.

Mesmo que o animal possua resistencia à manifestação clínica da doença,
mostram tais trabalhos que o animal infectado permanece um portador da mesma
por um longo período o que significa que pode dissemina-la para outros
indivíduos e outras espécies. Desta forma, creio que comprovada a maior
resistencia dos búfalos isto seria de interesse em zonas endêmica pelo menor
prejuízo que causariam nos rebanhos mas, duvido muito, que qualquer país
livre da doença assumiria o risco de introduzir um animal de uma zona
susceptível podendo ele ser um portador do vírus.

Acho que o negócio é todo mundo arregaçar as mangas e aceitar as regras do
jogo, vacinando seus rebanhos e o governo fiscalizando a qualidade das
vacinas e as eventuais fraudes no processo. Vários países já assumiram tal
tarefa com sucesso (como a Austrália), erradicando tanto a aftosa quanto
tuberculose e brucelose e hoje disputam com vantagens mercados a nós
restritos. (a Austrália é o único país que possui quota de exportação de
carne de búfalos para a Europa e não é capaz de atendê-la).

Otavio

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:24           Editar/Eliminar Mensaje
Otavio,

Concordo plenamente. Acho que devemos explorar com responsabilidade e em
paralelo com a difusão competente da maior resistência dos búfalos frente ás
doenças que assolam ciclicamente os bovinos "mal manejados".

Por outro lado sou completamente cético quanto à capacidade do governo em
fiscalizar o cumprimento da vacinação obrigatória e controlar o pleno
respeito às técnicas de conservação, os cuidados essenciais à aplicação
eficaz e a qualidade das vacinas.

No tocante à execução das vacinações entendo que todas as fazendas devem ter
um Técnico Responsável que supervisionaria todas as vacinações oficiais e
obrigatórias, atestando as adequadas execuções e envio das competentes
declarações de vacina.

Entendo que chegou o momento dos agentes privados da cadeia produtiva das
proteínas de origem animal assumirem essas responsabilidades, inclusive
quanto às certificações e rastreabilidade.

Nesse novo modelo de gestão da pecuária de qualidade e sanidade total, o
Mapa se transformaria numa espécie de "Super Receita", gestor da base de
dados nacional da Defesa Agropecuária estruturada a partir de declarações
obrigatórias (nos moldes do ITR) dos históricos zootécnicos, sanitários e de
movimentações, individualizadas por safras (ou estações de monta),
obviamente com os mesmos poderes de normatização, fiscalização, auditoria,
certificação, etc.

As Associações de Criadores, seriam as executoras dos Serviços de Registros
Genealógicos e de Rastreabilidade como Delegadas do Mapa.

Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:32           Editar/Eliminar Mensaje
Amigo Otavio
Esta foi a manifestação mais sensata e verdadeira (provida de conhecimento
científico) que saiu na lista até agora. Eu estava esperando todos
discutirem sobre o tema para poder me manifestar. E como não poderia ser
diferente, ela partiu do amigo Otavio. Concordo plenamente no que está
escrito na sua manifestação. Na minha vida de pesquisador, nos ultimos 30
anos, trabalhando com milhares de cabeças de búfalos, vi somente duas vezes
sintomas clínicos de aftosa nessa espécie animal, posteriormente confirmada
laboratorialmente. Como pouco trabalhei com bovinos, não posso fazer
comparação entre as duas espécies. Acredito que ambas as espécies sejam
igualmente susceptíveis ao vírus quando expostos a ele da mesma maneira.
Acredito também que o menor número de búfalos com essa doença, no
território brasileiro, deva-se ao fato de que o rebanho bubalino e
infinitamente menor que o de bovinos. Além disso, como encontram-se em
rebanhos menores, de uma maneira geral, são melhor manejados sanitariamente
que os bovinos. Observa-se que os criadores de búfalos "adoram" seus
animais e os tratam com maior cuidado. Portanto, vacina neles, de maneira
bem feita.

Hugo Didonet Láu
Pesquisador III
Embrapa Amazônia Oriental

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:40           Editar/Eliminar Mensaje
Companheiros,
Volto ao assunto e pergunto novamente:
Ao contrário do que consta dos livros, há quatro anos que crio búfalos,
nunca cortei umbigo de bezerros, nem sequer passei um repelente. No entanto,
nunca tive problemas neste sentido. Isto é normal ou são meus búfalos que
são mais rústicos?

No Vale do Guaporé, 5.000 búfalos sobrevivem muito
bem sem vacinas contra aftosa. Nas mesmas condições qualquer outra raça de
bovinos e principalmente as de origem européia, simplesmente teria
desaparecido do mapa. Não seria o caso de a Embrapa aproveitar essa genética
de rusticidade bubalina?

Pelo que tenho pesquisado, onde há capivaras,
veados, porco do mato ou outro animal qualquer de casco fendido, não há
condições de se eliminar totalmente o virus da aftosa. Logo, o vírus da
febre citada ronda por toda parte. Assim sendo, nosso rebanho de MS. mesmo
convivendo com animais selvagens contaminados, estavam livres da doença
graças a eficiência das vacinações.
Partindo deste princípio, se houve contaminação foi
devido algo errado com a vacinação.

Abaixo algo, mais sobre a Febre Aftosa :
A Febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca a todos os
animais de casco fendido, principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos,
e muito menos os carnívoros, mamíferos; os animais solípedes são
resistentes. Dá-se em todas as idades, independente de sexo, raça, clima,
etc., porém há diferenças de suscetividade de espécie.

A doença é produzida pelo menos por seis tipos de vírus, classificados como
A,O,C,SAT-1,SAT-2 e SAT-3, sendo que os três últimos foram isolados na
África e os demais apresentam ampla disseminação. Não há transmissores de
aftosa, o vírus é vinculado pelo ar, pela água e alimentos, apesar de ser
sensível ao calor e a luz.

A imunidade contra um deles não protege contra os outros. Além disso,
constataram-se alguns subtipos dos vírus citados, com a particularidade de
que uns causam ataques mais graves que outros e alguns se propagam mais
facilmente. Esta complexidade, apresenta um aspecto muito desfavorável, pois
um animal atacado por um tipo de vírus, embora ofereça resistência ao mesmo,
é ainda suscetível aos outros tipos e subtipos.

PREJUÍZOS CAUSADOS - A gravidade da aftosa não decorre das mortes que
ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos, atingindo todos os
pecuaristas, desde os pequenos até os grandes produtores. Causa em
conseqüência da febre e da perda de apetite, sob as formas de quebra da
produção leiteira, perda de peso, crescimento retardado e menor eficiência
reprodutiva. Pode levar à morte, principalmente os animais jovens; As
propriedades que têm animais doentes são interditadas; A exportação da carne
e dos produtos derivados torna-se difícil; Provoca aborto e infertilidade;
Os animais doentes podem adquirir com maior facilidade outras doenças,
devido à sua fraqueza.

TRANSMISSÃO - A febre aftosa é uma doença extremamente infecciosa. O Vírus
se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas que se formam na
mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas. O sangue contém
grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da enfermidade,
quando o animal é muito contagioso.

Quando as vesículas arrebentam, o vírus passa à saliva e com a baba infecta
os alojamentos, os pastos e as estradas onde passa o animal doente. Resiste
durante meses em carcaças congeladas, principalmente na medula óssea. Dura
muito tempo na erva dos pastos e na forragem ensilada. Persiste por tempo
prolongado na farinha de ossos, nos couros e nos fardos de feno.

Outras vezes o contágio é indireto e, nesse caso, o vírus é transportado
através de alimentos, água, ar e pássaros. Também as pessoas que cuidam dos
animais doentes levam em suas mãos, na roupa ou nos calçados, o vírus, o
qual é capaz de contaminar animais sadios. Nos animais infectados
naturalmente, o período de incubação, varia de dezoito horas e três semanas.

SINTOMAS - A elevação da temperatura e a diminuição do apetite são os
primeiros indícios da infecção. O vírus ataca a boca, língua, estômago,
intestinos, pele em torno das unhas e na coroa. No inicio, febre com papulas
que se transformam em pústulas, em vesículas, que se rompem e dão aftas na
língua, lábios, gengivas e entre os cascos, o animal baba muito e tem
dificuldade de se alimentar. Devido às lesões entre os cascos, o animal tem
dificuldade de se locomover. Nos dois primeiros dias a infecção progride
pelo sangue produzindo febre; depois aparecem as vesículas na boca e no pé.
Também surgem nas tetas. Então a febre desaparece, porém, a produção de
leite cai e a manqueira aparece, bem como a mamite com todas as suas graves
conseqüências.

As vesículas se rompem e libertam um líquido transparente ou turvo; aftas,
que aparecem após 24 a 48 horas, resultantes são dolorosas e podem sofre
infecção secundária. A secreção de saliva aumenta e fios de baba começam a
cair da boca. O animal mastiga produzindo ruído caracterizado, ao abrir a
boca, chamado "beijo da aftosa". Nos ovinos e caprinos, as lesões das patas
são características, enquanto que as da boca podem ser pequenas e passarem
desapercebidas. Os surtos de aftosa surgem repentinamente e com muita
freqüência; todos os animais suscetíveis do rebanho apresentam os sintomas
praticamente ao mesmo tempo. A intensidade da doença é muito variável. Na
forma leve, as perdas podem alcançar uns 3%, enquanto que nas graves
alcançam 30 a 50%, porém, em média, a mortalidade é baixa nos adultos e
elevada nos jovens , principalmente os em aleitamento, porque as mães não os
deixam mamar. Os animais que sobrevivem, se recuperam dentro de vinte duas
porém, às vezes, a recuperação é bastante demorada; alguns animais com
lesões cardíacas são irrecuperáveis, bem como as perdas de tetas.

PROFILAXIA E CUIDADOS -

a.. Nos países livres de febre aftosa o método geralmente empregado
consiste no sacrifício dos animais doentes e suspeitos, destruição dos
cadáveres e indenização dos proprietários.
b.. Vacinação regular do gado de 6 em 6 meses a partir do 3º mês de idade
ou quando o Médico Veterinário recomendar.
c.. Os animais que receberam a primeira dose de vacina, deverão ser
revacinados 90 dias após a primeira vacinação.
d.. Suspeitando da existência da doença em sua propriedade ou na de
vizinhos, avise imediatamente o Médico Veterinário.
e.. Confirmada a doença, isole os animais doentes, proíba a entrada e
saída de veículos, pessoas e animais, instale pedilúvios com desinfetantes e
siga as orientações do Médico Veterinário.
f.. Quando comprar animais, exija que os mesmos estejam vacinados.
g.. Só faça o transporte com atestado de vacinação.
h.. As vacas prenhes devem ser vacinadas a fim de que elas possam proteger
o bezerro através do colostro.
i.. A vacinação não causa aborto nos animais. Cuidados especiais devem ser
tomados no manejo das vacas prenhes, pois é o mau manejo que poderá causar
aborto e nunca a vacina.
j.. Exija sempre que o revendedor acondicione bem e faça o transporte
correto das vacinas.
k.. Animais vindos de outras propriedades devem ser isolados, vacinados e
observados por um período mínimo de 15 dias, antes de serem misturados com
os outros animais da propriedade.
l.. Nos recintos de exposições, feiras e remates, devem ser adotadas
rígidas medidas de higiene e desinfecção, e se a situação exigir, as
autoridades sanitárias podem suspender os referidos eventos.
m.. É muito importante o pecuarista conhecer bem a Febre Aftosa, para que
ao aparecer a doença em animais de seu rebanho, ele esteja capacitado para
adotar medidas sanitárias, visando ao seu controle.
n.. Siga corretamente as orientações do Médico Veterinário. É importante o
contato freqüente com o Médico Veterinário, o qual estará sempre pronto a
prestar os esclarecimentos necessários.
VACINAÇÃO - No Brasil, o processo mais aconselhável é a vacinação periódica
dos rebanhos, assim como a vacinação de todos os bovinos antes de qualquer
viagem. Em geral a vacina contra a febre aftosa é aplicada, de 6 em 6 meses,
a partir do 3º mês de idade. A vacinação contra a Febre Aftosa no Estado de
São Paulo deve ser feita nos meses de MARÇO E SETEMBRO. Na aplicação devem
ser obedecidas as recomendações do fabricante em relação à dosagem, tempo de
validade, método de conservação e outros pormenores.

CUIDADOS COM A VACINA - Antes da aplicação devem ser obedecidas as
recomendações do fabricante e alguns cuidados devem ser rigorosamente
observados, tais como:

a.. Conservação Adequada das Vacinas;
b.. As vacinas devem ser conservadas na temperatura entre 2 e 6 graus
centígrados, em geladeiras domésticas ou em caixas térmicas com gelo;
c.. É muito importante a conservação, pois tanto o congelamento quanto o
calor inutilizam a eficiência da vacina;
d.. O transporte das vacinas do revendedor até a propriedade deve ser
sempre feito em caixas térmicas com gelo;
e.. A dose a ser aplicada em cada animal deve ser aquela indicada no
rótulo da vacina. Uma dosagem menor do que a indicada pelo fabricante não
vai oferecer aos animais a proteção desejada;
f.. Não devem ser utilizadas agulhas muito grossas, pois a vacina pode
escorrer pelo orifício deixado no couro do animal pela agulha e em
conseqüência, diminuir a quantidade de vacina aplicada;
g.. A vacina deve ser aplicada embaixo da pele;
h.. Os animais sadios deverão ser sempre vacinados, pois os doentes ou
mal-alimentados, não respondem bem à vacinação e, nesses casos, é
conveniente procurar orientação com o Médico Veterinário.
i.. Os efeitos da vacina somente aparecem depois de 14 a 21 dias de sua
aplicação. Se os animais apresentarem a doença antes desse prazo, é sinal
que já estavam com a doença quando foram vacinados, mas ainda não tinham
manifestado seus sintomas.
TRATAMENTO - Em casos especiais pode ser empregado o soro de animais
hiper-imunizados. São úteis as seguintes medidas coadjuvantes:

1.. desinfecção dos alojamentos com soda cáustica a 4% no leite de cal
de caiação;
2.. fervura ou pasteurização do leite destinado à alimentação animal ou
humana;
3.. uso de pedilúvios na entrada dos currais e estábulos;
4.. alojamentos limpos e ventilados;
5.. fornecimento aos animais de alimentos de fácil mastigação;
6.. lavagem da boca com soluções adstringentes e anti-sépticas;
7.. tratamento das feridas dos cascos e das tetas;
8.. administração de tônicos cardíacos, em certos casos de muita
fraqueza.
Mais informações com

Mario Sergio Gomes
Cabanha Amambaé
055-8406.1212
Santa Maria/RS
Abraço de Migliorini - ACB-ms

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:41           Editar/Eliminar Mensaje
Sr. Mario Sergio

O que eu tenho a dizer é que o fato do Sr. não fazer o tratamento do
umbigo, não significa que o o problema não exista. É simplesmente sorte
sua. E a mesma coisa que dizer que não faz o seguro do carro porque nunca
bateu o carro. Um dia pode acontecer. A diferença pode estar no manejo
alimentar e sanitário dos seus animais. Quanto oaos búfalos da Guaporé,
eles não possuem aftosa porque simplesmente o vírus não chegou até lá
ainda. Trata-se de um rebanho bastante isolado. Não tem nada a ver com
rusticidade genética. Devemos parar de pensar que o búfalo é imune ao virus
da aftosa porque ele não é. O que ocorre que por tratar-se de um animal
mais rústico, mesmo doente, ele geralmente não apresenta sintomas. Ou
seja, ele pode ser um portador são. Isso é um problema sério para o serviço
sanitário oficial, pois os bubalinos, como os caprinos e ovinos podem
funcionar como transmissores da doença. Apesar dos bubalinos serem mais
rusticos que os bovinos, eles demonstram bastante sofrimento quando com a
aftosa. As aftas perduram por mais tempo e a febre e mais alta que nos
bovinos. As consequências parecem ser maiores. Vamos portanto vacinar,
vacinar e vacinar.

Hugo Didonet Láu
Médico Veterinário
Embrapa Amazônia Oriental.

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:42           Editar/Eliminar Mensaje
Migliorini,

A minha pergunta é: Tendo em vista a indiscutível rusticidade bubalina,
basta vacinar para escapar dos prejuízos causados pelo aparecimento dos
focos nos rebanhos bovinos ?

Durante muitos anos eu explorei a pecuária leiteira (com bovinos) ao lado de
uma granja de suínos. Em mais de trinta anos de exploração, sempre vacinei o
rebanho Jersey, nunca tive um caso de aftosa, e nunca vacinei os porcos.

Atribuo isso, apesar de alguns focos terem aparecido na vizinhança, devido à
alta tecnificação aplicada na criação de suínos, inclusive com acesso
restrito, imposição de barreiras sanitárias e higienizações eficazes, tendo
em vista que um rigoroso manejo zootécnico e veterinário e não a vacinação,
que nem mesmo é exigida para essa espécie, geram a garantia de manutenção
de uma suinocultura livre de aftosa.

Até mesmo os pequenos suinicultores são muito rigorosos na aplicação dessas
medidas pois, diferentemente da aftosa em bovinos, nos porcos essa doença
leva sem dúvida alguma a inexorável falência total da atividade.

Aliás, essa tecnificação com responsabilidade também é constatada na
avicultura nacional.

Em meio ao total descontrole das ações públicas, principalmente com a velha
mania de colocar a tranca depois da porta arrombada, não tenho dúvida em
afirmar de que muito mais do que vacinar, cabe ao próprio pecuarista, seja
com búfalos ou bovinos, estabelecer um competente manejo zootécnico e
sanitário que garanta essa condição de fazenda livre de aftosa, brucelose,
tuberculose e principalmente da mais grave endemia que afeta o agronegócio,
a "necrose dos lucros".

Além disso, não basta ser individualmente competente. Ninguém melhor do que
uma Associação ou Cooperativa de Produtores, regionalizada e em parcerias
com frigoríficos, laticínios, atacadistas e varejistas para gerir
coletivamente a rastreabilidade e a certificação da qualidade total,
deixando para o Estado a execução dos Serviços de Inspeção e Vigilância
Sanitária, auditando permanentemente o pleno atendimento às Normas e Padrões
de Qualidade e à Segurança Alimentar.

No caso dos Assentamentos, esta organização é a única forma de desarmar a
crescente ameaça regional que a natural e descuidada proliferação de seus
rebanhos tende a representar.

Para os búfalos, pela rusticidade e menor vulnerabilidade às doenças, menor
número de animais, de fazendas de criação e a maior regionalização, essa
organização fica naturalmente muito mais facilitada.

Roberto.

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Grupo Búfalos
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enviado 11-11-2005 17:44           Editar/Eliminar Mensaje
Dr. Hugo,
De acordo com estudos feitos pela Embrapa da Amazônia
Oriental, da qual o companheiro faz parte, não se deve vermifugar os búfalos
a partir dos dois anos de idade, desde que estejam bem nutridos;
Pergunto: Já que os búfalos são imunes a esses parasitas ao
contrário dos bovinos, não seriam também, na idade adulta imunes ao vírus da
aftosa?

Amigo Roberto,

Pelo fato de eu não ter formação veterinária,
posso dizer algumas bobagens, porem, sempre com fundamento em algo que leva
a gente acreditar na lei de causa e efeito, ou seja, conhecimento
experimental.
Assim sendo, tenho certeza que o animal bem
vacinado, portanto imunizado . . ., poderá ter contato com o vírus da
aftosa, sem no entanto ser derrotado pelo mesmo na guerra entre estes e os
milhões de leucócitos bubalinicos batizados pelos efeitos da febre.

Abraço de Migliorini - ACB-ms.

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