cabraljr Moderador Mensajes: 313 De:Governador Valadares-MG-Brasil Registrado: May 2004
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enviado 27-06-2004 21:15
Caro Eduardo,Atualmente com as novas e altamente produtivas gramíneas tropicais e utilização de sistemas de pastejo rotacionado, há uma "sobra" de forragem no período quente e chuvoso do ano; uma das maneiras para aproveitar esta maior produção é aumentar a lotação de animais nos piquetes, porém, esta é uma alternativa de alto custo (compra de animais) e o planejamento para descarte destes animais no período seco deve ser muito bem executado, caso contrário agrega maiores custos com a manutenção destes animais. A alternativa que foi desenvolvida, foi a ensilagem deste material excedente, para posterior consumo nos períodos de maior excassez de forragem (seco). O problema é que as gramíneas normalmente utilizadas neste sistema, são espécies cespitosas dos gêneros PANICUM (tanzânia, mombaça) e do gênero PENISSETUM PURPUREUM (capins-elefante - napier, camerron, taiwan, guatemala, etc). Estas gramíneas tem alta produtividade e valor nutritivo quando colhidas no período certo, mas justamente neste período elas apresentam baixos teores de materia seca (em torno de 20 a 23%); colhe-las mais tardiamente resolve este problema da matéria seca, porém, por suas caracteristicas fisiológicas, há um decrescimo acentuado de seus teores de proteína e aumento significativo de lignina que torna a quantidade de fibra mais alta mas com queda acentuada na DIVMO (digestibilidade da materia orgânica). A primeira grande questão é: quando colher para ensilar? A resposta é num meio termo, quando aumenta um pouco a materia seca (25 a 27%) sem muita queda na proteína ( 8 a 10% na materia seca). Mas para isso, como ainda há muita "umidade" na forragem, esta deve passar por um processo de "emurchecimento", para elevar a materia seca e diminuir os efluentes líquidos no silo, bem como a adição por exemplo de farelo de milho para aumentar ainda mais a materia seca e fornecer carboidratos para garantir a adequada fermentação do material. Há ainda produtos aditivos comerciáis que podem ser acrescentados para melhorar a fermentação. O que posso lhe dizer é que até mesmo técnicos experientes não conseguem a mesma qualidade de silagem de gramíneas por dois anos consecutivos, porque as variáveis são muito grandes... mas ainda assim, em caso de "sobras" de forragem, é uma opção atraente, mas que deve ser feita com muita técnica e se destina a animais não tão exigentes nutricionalmente como as vacas de leite, para estas o melhor seria uma silagem de milho! E se a questão não for aproveitamento de "sobras" de forragem, mas de se ter uma reserva alimentar estratégica para o período seco, a ensilagem da cana de açucar pode ser uma boa opção, já que apresenta teores mais altos de materia seca, quantidade de carboidratos fermentáveis mais que suficiente, cuidando-se apenas das fermentações secundárias (alcool e ácido acético) que deixam a silagem muito mais pobre e pouco palatável aos animais; quanto ao problema dos baixos teores de proteína, eu prefiro adicionar a uréia quando da retirada da silagem e colocação nos cochos para servir aos animais, mas pode-se também coloca-la no momento da ensilagem, mas aí apresenta maior dificuldade técnica e alguns potenciáis fatores indesejados... Espero ter sido de alguma ajuda. Cordialmente, Hélio Cabral Jr IP: Archivada |